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O QUE É NECROPOLÍTICA

Nesse texto, você vai entender o que é necropolítica a partir do exemplo da chacina do Jacarezinho, que aconteceu em maio de 2021.

Por Canto Baobá Psicologia

A escravidão nunca chegou a ser abolida no Brasil. Pelo contrário, o sistema judiciário se construiu a partir do racismo. Nosso sistema social e governamental nunca chegou a ser minimamente justo com as pessoas pretas. E a necropolítica fala justamente sobre isso:

A política também pode ser uma forma de guerra. Quando se constroem políticas em cima da opressão, se constrói um governo que oprime. E se as estruturas governamentais sujeitam determinadas pessoas a continuarem sem direitos, isso se estende a tudo que diz respeito a essa parcela.

As estruturas governamentais decidem quem deve viver e quem deve morrer. E esse controle está diretamente ligado ao processo histórico de racialização.

Falar sobre saúde mental é falar sobre política também: principalmente em uma cenário de perda de direitos e dignidade em que populações consideradas marginalizadas historicamente e socialmente morrem. E por culpa do governo.

É o caso da chacina do Jacarezinho. Chamada de “operação”, a Polícia Civil invadiu a favela do Jacarezinho, localizada na região norte do Rio de Janeiro, e 25 pessoas foram mortas. Inocentes. E aconteceu em menos de uma semana depois da posse definitiva do governador Cláudio Castro, apoiador do Presidente Bolsonaro.

O jornal @theinterceptbrasil apontou que, por conta da pandemia, as operações em favelas só eram autorizadas em casos excepcionais. Sendo assim, todas as operações deveriam ser justificadas por escrito e comunicadas ao Ministério Público.

A chacina se iniciou às 6 da manhã. O Ministério Público foi notificado às 9 da manhã. O que aconteceu naquela semana é um dos muitos exemplos concretos de como a necropolítica se organiza: e qual vida vale e o governo quer manter de fato.

É um dever nosso informar e continuar sendo um espaço que luta contra esse sistema. E as mobilizações pela internet também foram um fator para que esse caso de ontem não fosse enterrado.

Continuamos lutando por dignidade ao povo preto.

Você sabe o que é racismo ambiental?

Olá minhas hortinhas orgânicas, como vocês estão?

Eu estava morrendo de saudades dos nossos papos mensais! Durante 6 meses nós refletimos sobre as interseccionalidades da Agenda 2030 e agora quero compartilhar meu novo tema de investigação, o Racismo Ambiental.

Mas antes de apresentar uma narrativa sobre essa temática, quero te mostrar a importância de investigar o Racismo como um problema Estrutural.

Acredita que eu já ouvi as seguintes frases:

  • Amandinha, que chatice falar de racismo. Somos todos humanos!
  • Racismo é coisa de gente mimimi. Quem quer consegue!
  • Você mora numa casa tão bonita! Não deveria falar que é na periferia.

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Em um mundo que a raça define a vida e a morte, não a tomar como elemento de análise das grandes questões contemporâneas demonstra a falta de compromisso com a ciência e com a resolução das grandes mazelas do mundo. – Silvio Almeida

Queridos, internalizem uma verdade: o racismo é sempre estrutural, ou seja, integra a organização social, econômica e ambiental da sociedade contemporânea.

Essa hierarquia opressora serve como uma tecnologia de colonialismo contra os povos vulneráveis, prejudicando principalmente a galera preta, indígena, quilombola, ribeirinha e todos os demais grupos minoritários que ocupam a base da pirâmide social.

Decidi fazer um recorte para essa narrativa, abordando essa temática a partir do meu lugar de fala, como mulher preta e periférica.

Reflete comigo: Por que existe uma predominância de povos pretos nas favelas e periferias? Por que esses lugares são tão carentes de educação, saúde, saneamento e estruturas básicas que possibilitam uma vida abundante e de qualidade?

Precisamos romper com a cisão criada numa sociedade desigual e criar novos marcos civilizatórios que coloquem sujeitos historicamente subalternizados como protagonistas do debate, fortalecendo sua resistência e reexistência!

RACISMO AMBIENTAL

O Termo Racismo Ambiental foi abordado pela primeira vez pelo líder afro-americano ativista pelos direitos civis Dr. Benjamin Franklin Chavis Jr, em 1981, num contexto de manifestações do movimento negro contra injustiças ambientais.

De acordo com o Dr. Franklin:

racismo ambiental é a discriminação racial na elaboração de políticas ambientais, aplicação de regulamentos e leis, direcionamento deliberado de comunidades negras para instalações de resíduos tóxicos, sanção oficial da presença de venenos e poluentes com risco de vida à comunidades e exclusão de pessoas negras da liderança dos movimentos ecológicos

O termo foi expandido e além de abordar a exposição a resíduos tóxicos, inclui inundações, contaminação pela extração de recursos naturais e industriais, carência de bens essenciais ou a exclusão da administração e tomada de decisões sobre as terras e os recursos naturais pelas populações locais.

Escrever sobre Racismo Ambiental é lutar contra a neocolonialismo exercido pelo sistema capitalista de supremacia branca, que insiste em se apropriar dos recursos das populações pretas, periféricas, indígenas, quilombolas e ribeirinhas.

Pautar esse temática é evidenciar as injustiças ambientais pelas quais os povos vulneráveis são submetidos. Regiões indígenas não demarcadas, favelas com alto risco de deslizamento de terra, lixões e áreas urbanas não atendidas por saneamento básico são exemplos característicos da opressão contra grupos minoritários.

Os povos menos favorecidos socioeconomicamente estão sobrecarregados dos danos ambientais impostos em seus respectivos territórios. Está na hora de construir uma atuação ambientalista que seja intrinsecamente antirracista!

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Eu cansei de ouvir que “meio ambiente é assunto de gente branca, rica e burguesa”Eu estou aqui para quebrar padrões! Sou preta, moro na periferia de São Paulo e assumi o ativismo climático como um dos pilares da minha vida, desafiando o status quo e contrariando a lógica heteronormativa que insiste em silenciar a minha voz.

 

Genocídio não é só a morte por tiro, mas é toda a lógica de exclusão baseada na nossa identidade racial que faz com que a minha vida seja descartada dentro do sistema. – Stephanie Ribeiro

Querido leitor, te convido a refletir sobre essa temática, descolonizar o seu pensamento e a diversificar a sua curadoria de conteúdo. Que tal começar pelo seu Instagram, seguindo ativistas ambientais pretos e periféricos? ?

Texto de Amanda da Cruz Costa

 

A Agenda 2030 é uma agenda racista?

A Agenda 2030 é uma agenda universal, integrada e indivisível. No entanto, precisamos sair da superficialidade e analisar com olhar crítico e questionador.

Por Amanda Costa

Olá querides! Como vocês estão?

Se você acompanha meus textos aqui na Agência Jovem de Notícias, já descobriu como a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável foi criada e sabe que os 17 ODS não são um sonho utópico. No entanto, quero abordar um tema polêmico:

você acha que a Agenda 2030 é racista?

Apesar de ter contado com a participação dos 193 países membros da ONU, nenhum dos objetivos da Agenda contemplam a questão racial na sua integralidade e dinamismo. Há planos para promover a igualdade de gênero, erradicar a pobreza, reduzir as desigualdades, combater a crise climática mas não há NENHUM objetivo específico que trace caminhos universais de combate ao racismo estrutural.

Eu, enquanto mulher preta e periférica, pesquisadora da Agenda 2030,  senti que estava na hora de levantar essa questão e convidá-los à reflexão. 

A Agenda 2030 é uma agenda universal, integrada e indivisível, que tem o lema de não deixar ninguém para trás.” No entanto, precisamos sair da superficialidade da branquitude e analisar essa agenda com um olhar crítico e questionador.

Assim que os ODS foram anunciados pelos países, percebemos que outra vez as mulheres negras e os grupos vulneráveis estavam de fora desse debate. (…) Vimos que era necessário que novamente as mulheres negras tomassem rédeas desse processo. –Lúcia Xavier, coordenadora do Criola

Apesar das falhas estruturais da Agenda 2030, houve iniciativas das Nações Unidas para mitigar esse câncer social. Um exemplo foi a parceria do Comitê Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030 com a ONU Mulheres Brasil, com o intuito de apoiar estratégias de inclusão de mulher negras em espaços de debate nacional.

Para que essa agenda se afine um pouco mais é preciso divulgar não somente os ODS, mas as possibilidades de incorporação das mulheres negras nesse processo. Talvez a maneira mais concreta de fazer isso seja (…) olhar os ODS como uma oportunidade e enegrecê-los a ponto de poderem dar resposta às condições da população negra e das mulheres negras. – Lúcia Xavier – coordenadora do Criola

A inclusão da mulher preta nos debates globais é imprescindível para a implementação dos 17 Objetivos e das 169 Metas da Agenda 2030. Não podemos ignorar que a ideologia de dominação brancocêntrica foi pulverizada em TODAS as estruturas sociais!

A mulher preta traz uma visão completamente diferente da visão eurocêntrica, possibilitando outros caminhos e soluções inovadoras para os desafios econômicos, sociais e ambientais presentes em nosso planeta.

Querides, sei que algumas pessoas se sentirão desconfortáveis com meus questionamentos. Contudo, temos opções:

  • Concordar com um sistema racista, machista, classista e opressor ou
  • Olhar para a estrutura social existente e desafiar o status quo.

Não quero falar da Agenda 2030 de forma rasa, mas escolho promover reflexões críticas com profundidade e interseccionalidades. O racismo não é um problema meu, é um problema nosso. Nosso engajamento moldará o mundo que deixaremos para as próximas gerações.

Não somos o futuro, somos o agora! – Hamangai Kariri Sapuya

Fonte: Mulheres negras destacam papel dos objetivos globais na eliminação do racismo

Amanda Costa é colunista da Agência Jovem de Notícias