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Será que o jovem brasileiro se desinteressou pela política?

O ano é novo, mas os problemas são velhos. Será que 2022 será uma cópia de 2018, com os mesmos políticos sendo reeleitos e as brigas nas redes sociais dominando nos trending topics?

Por Victoria Souza

Anos eleitorais no Brasil, para alguns, são considerados anos extremamente chatos por conta das propagandas eleitorais e por conta dos apelos que os candidatos fazem, algo que já cansou uma considerável parcela da população. Para outros, é nesses anos que as “coisas realmente acontecem”: obras são finalizadas, benefícios criados e pequenas melhorias adotadas, com o intuito de que até outubro, as pessoas ainda se recordem disso. Se dependesse apenas de mim, o ano eleitoral não teria nada que distraísse o povo das eleições. Não teria BBB, não teria Carnaval, não teria absolutamente nada que distraísse as pessoas de entenderem a importância de um ano eleitoral nas nossas vidas.

Pode parecer drástico, mas talvez assim conseguiríamos nos focar no que realmente importa durante esse ano: votar em pessoas que tenham um plano lógico para o desenvolvimento do país! Isso porque de quatro em quatro anos, muitas pessoas têm a capacidade de eleger as mesmas pessoas, absolutamente as mesmas pessoas, que ficaram por 4, 8, 20 anos sem fazer nada de novo, de bom e nada que seja melhor para nós, apenas para eles. E isso é gravíssimo!

Sim, o ano é novo, mas os problemas são velhos. Será que 2022 será uma cópia de 2018, com os mesmos políticos sendo reeleitos e as brigas nas redes sociais dominando nos trending topics?

2022 é um ano extremamente estratégico para o nosso país e precisa ser.

Precisamos nos atentar aos erros cometidos em 2018 e entender o quanto a política é necessária para a nossa vida e molda sistemas excludentes de uma sociedade. A juventude, mais do que nunca, precisa utilizar o poder que tem na mão e dizer o que não concorda e o que pensa e sobre o que não pode continuar acontecendo. Não estou falando de stories em redes sociais! Estou falando do voto, esse direito constitucional que nos faz “responder” ao estado às ações que vemos enquanto cidadãos.

Falando de redes sociais, vemos muitos memes e brigas com relação à política, mas pouca construção sólida em torno de tudo isso. As pessoas, aparentemente, não estão se envolvendo muito nesse tema com medo ou das reações que podem gerar nas redes sociais ou por acreditar que política é um assunto chato e que não vale a pena.

Mas, e o jovem brasileiro?

A grande problemática é que o jovem brasileiro parece ter se desiludido com a política. Ao longo dos últimos 20 anos, o número de jovens de 16 a 17 anos que já estariam em idade para tirar o título de eleitor e exercer seu direito constitucional caiu bastante, indicando que o jovem brasileiro estaria desencantado pela política.

Assistimos atônitos aos políticos enfiando dinheiro na cueca, enquanto o povo caça ossos no lixo, assistimos políticos criando leis específicas que beneficiam somente a eles e ajudar bandidos a utilizarem essas “brechas jurídicas” para escapar de presídios, assistimos políticos não responderem por crimes gravíssimos enquanto uma mulher é presa por roubar uma bandeja de carne. Realmente é desanimador acreditar que uma nação tem chances de romper com esse cenário, que faz parecer com que todos os partidos não sejam confiáveis. Tudo isso sem mencionar as fake news, das quais a juventude segue sendo a mais atingida.

Assim, esse desencantamento é extremamente compreensível, uma vez que o país tem tomado um rumo desanimador quanto à administração pública e a juventude, especialmente a juventude preta e periférica, que tem sofrido cada vez mais com as crescentes desigualdes sociais brasileiras, como a negação à capacitação acadêmica e profissional e direitos legais adquiridos constitucionalmente como o direito à vida e à segurança, uma vez que um jovem negro é morto a cada 23 minutos no Brasil, de acordo com um estudo da ONU, por exemplo.

É justamente por perceber que as desigualdades sociais têm crescido muito nos últimos anos, que precisamos entender o quanto as ações dos jovens precisam ser estratégicas neste momento.

É útil postar textões nas redes sociais? Até certo ponto sim, mas o ato por si só continua se mostrando não muito eficaz. A ação política precisa acontecer.

Por mais que os jovens sejam engajados para lutar pelos seus direitos, pesquisadores apontam que os jovens estão levando a política para as redes sociais, mas não estão levando as pautas para um âmbito onde as mudanças realmente acontecem. Ou seja, para que mudanças ocorram efetivamente, é necessário que as juventudes estejam na política, conversando com as secretarias, ensinando sobre políticas públicas, engajando outros jovens para a liderança de projetos de impacto, em resumo, fazendo política.

Atualmente, com a polarização política e o ódio generalizado nas redes sociais, o jovem tem medo de ser ridicularizado e cancelado por ter um pensamento diferente dos demais. A política entra em pauta novamente em 2022 e, com os aprendizados de 2018, as pessoas se sentem constrangidas a dar suas opiniões sem liberdade de errar uma vez que a cultura do cancelamento se impregnou na sociedade, e sem humildade para aprender com o erro e se desculpar. É um efeito dominó com consequências drásticas para a juventude brasileira que está cada vez mais afastada da política quando deveria ser ao contrário.

Hoje, existem movimentos que tentam aproximar os jovens da política e demonstrar a importância dessa aproximação para a diminuição das desigualdades sociais de um país. Educação política, engajamento social e debates nunca foram tão importantes no nosso país.

Quanto mais acostumados à política e entendermos o papel estratégico de “ocupar” o senado e o congresso, de contar com lideranças que lutem por pautas relacionadas à diversidade, maior a chance de termos questões importantes para a nossa sociedade finalmente sendo endereçadas como o combate ao racismo, machismo, LGBTfobia, políticas públicas para incluir mais jovens indígenas no ensino superior, tirar moradores de ruas das ruas, ações sociais para combater as inúmeras cracolândias espalhadas pelo país, proteção aos direitos dos animais, ou seja, pautas que realmente são importantes para nossa convivência e evolução em sociedade.

Enquanto não entendermos que precisamos nos inserir na política, as mesmas pessoas ricas, cis e brancas continuarão fazendo políticas para si e não para nós (as minorias).

Para você tirar o seu título eleitoral e exercer seu direito no mês de outubro, fazendo mudanças reais na sua vida e na das pessoas que te rodeiam, entre no site do TSE até o dia 4 de maio:

Visibilidade Trans – pelo direito de existir com dignidade

Desde 2004, o dia 29 de janeiro é marcado, no Brasil, como o Dia Nacional da Visibilidade Trans e Travesti. Naquele ano, o Ministério da Saúde lançou a campanha “Travesti e Respeito”, com a atuação de ativistas da causa LGBTQIA+ ligadas à área da saúde. A campanha pretendia uma conscientização pelo fim do preconceito enfrentado pela população trans.

Durante o lançamento da campanha, um grupo de ativistas se reuniu em frente ao Congresso Nacional para acompanhar as discussões e dali teria surgido a ideia de consolidar a data  como o dia de mobilização nacional contra a transfobia.

Uma pessoa trans (trans é abreviação da palavra transgênero), não se identifica com o gênero que lhe foi atribuído ao nascer. Pessoas trans são cidadãs e têm acesso (pelo menos em teoria), a todos os direitos fundamentais, como qualquer outro cidadão.

Nosso país naturalizou um processo de marginalização e precarização das pessoas trans. Apesar de termos avançado muito na conquista de direitos e representatividade, ainda somos um dos lugares mais perigosos para pessoas trans e travestis no mundo. Seres humanos que continuam sendo excluídos do convívio social, de suas famílias e do mercado formal de trabalho.

Segundo a Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), só em 2018, ocorreram 163 assassinatos de pessoas trans, em todas as regiões do país. Entre janeiro e abril de 2020, esse número aumentou em 48% comparado a 2019, mesmo com a pandemia. Segundo o IBGE, a expectativa de vida de uma pessoa trans no Brasil é de 35 anos. Esse quadro de violência e violações de direitos se agrava ainda mais quando consideramos os recortes de raça e classe.

Na Viração, temos o privilégio de conviver e trabalhar com pessoas trans, o que nos proporciona aprendizado constante para atuar na desconstrução da lógica binária, heteronormativa e excludente da sociedade em que vivemos. Para escrever esse texto, perguntamos a elas o que consideram essencial para que pessoas trans possam existir com dignidade.

Para Audre Verneck, travesti que faz parte da equipe de educomunicação, Kawan Freitas, homem trans estagiário em educomunicação, e Fernanda Távora, mulher trans estagiária na área administrativa da Vira, ainda estão no centro das discussões a garantia de direitos básicos, que são:

 

1 – Acesso à saúde integral – emocional e física, atendimento especializado e terapêutico feito em espaços gratuitos, seguros, humanizados e livres de transfobia;

2 – O  acesso à moradia digna;

3- portunidades de profissionalização e de trabalho seguro;

4 – Garantia de acesso à educação formal;

5 – Acesso à informação sobre seus direitos enquanto pessoas trans;

6- Acesso ao sistema de justiça.

 

Fernanda destacou ainda que essa necessidade de atendimento humanizado e integral se estende ao acesso à polícia e outros órgãos de segurança públicaAudre considerou como direito fundamental o direito de amar, que é negado às pessoas trans e travestis pela heteronormatividade cristã. Já Kawan salientou a importância do atendimento de saúde humanizado no acolhimento psicossocial, na interrupção de ciclos de violência transfóbica e na prevenção de suicídios.

É preciso ampliar cada vez mais o alcance de ações afirmativas,  mobilizando a sociedade para a criação e implementação de políticas públicas que de fato rompam com a lógica de repressão e violência que atinge a população LGBTQIA +. É na celebração de datas como essa que marcamos posição como aliadas das pessoas trans e travestis nas lutas por igualdade, dignidade e respeito, que continuam vivas. As lutas por liberdade e pelo direito de existir resistem!

Por que dialogar sobre hiv/aids?

Por CAIU, Franklin Ferreira, Guilhermina de Paula e Jennifer Rabelo de Almeida, jovens #prabrilhar, com supervisão de Ará Silva.

Chegamos a mais um 1º de dezembro comemorando o Dia Mundial da Luta contra a AIDSEssa data foi definida no dia 27 de Outubro de 1988, pela Organização Mundial de Saúde (OMS), como forma de conscientização e de estímulo ao aumento nas medidas de prevenção, tratamento, cuidados e para tirar alguns estigmas de pessoas que vivem com o vírus HIV.

A AIDS é a manifestação sintomática do Vírus da Imunodeficiência Adquirida (HIV) e, portanto, só aparece quando ele não é controlado. O que ocorre é uma queda no sistema imunológico, que fica vulnerável a doenças oportunistas, como pneumonia e tuberculose.

Até o momento, não há uma cura para a AIDS, mas o HIV pode ser controlado para que o vírus não evolua aos outros estágios. O tratamento, chamado de terapia antirretroviral ou TARV, é feito com uso de medicamentos específicos dependendo de cada ocorrência e estágio da infecção.

Pouco mais de trinta anos depois dessa data ter sido definida, temos muitos avanços no combate a AIDS como por exemplo a prevenção combinada, a PEP que é utilizada após uma exposição sexual com indicação de prevenção do HIV que foi liberada para o público geral em 2010 e a PrEP, uso preventivo de medicamentos antes da exposição ao HIV que foi criada em 2013. Acesse HIV/Aids e prevenção combinada para saber mais sobre essas e outras formas de prevenção.

Discussões como essas ajudam a fortalecer estudos e pesquisas como o Mosaico, um estudo global e único na fase 3 do mundo que tentará provar se uma vacina experimental pode prevenir a infecção pelo HIV. Na pesquisa, serão testadas duas vacinas experimentais: Vacina AD26 e Vacina GP140. São chamadas de “experimentais”, pois ainda não foram aprovadas para uso geral, mas estão sob investigação em estudos clínicos (como o MOSAICO) quanto a sua segurança e eficácia. Não se sabe ainda se o regime de vacina será seguro para uso em pessoas ou se funcionará para prevenir a infecção pelo HIV.

Por isso a importância dessa data. Onde cada vez mais pautas são levantadas, assuntos discutidos e as pessoas têm acesso à informação, prevenção e tratamentos de qualidade. O dia 1º de dezembro serve, portanto, como um alerta sobre a AIDS e como uma forma de repensarmos nossas atitudes com os portadores da doença. Não se trata de um dia exclusivo para informações de saúde, é um dia que também remete à solidariedade e a necessidade do fim do preconceito.

Tratar o HIV e a AIDS é de extrema importância. Os dados do grande impacto da epidemia de HIV entre homens gays, travestis e mulheres trans não são novos. Estima-se que um em cada cinco homens gays e HSH (homens que fazem sexo com homens) vive com HIV no Brasil; e que a prevalência do HIV entre travestis e mulheres trans pode ser superior aos 30%.

Além dos dados epidemiológicos, há evidências mais que concretas de que a epidemia do preconceito, do estigma e da discriminação segue destruindo as vidas de muitas pessoas que fazem parte desta população, considerada chave para a construção da resposta que precisamos dar para mudar este cenário. Os dados do Índice de Estigma em Relação às Pessoas Vivendo com HIV/AIDS, lançados em dezembro de 2019, trazem indicativos preocupantes: 64% das pessoas vivendo com HIV/AIDS relataram ter sofrido alguma forma de discriminação; 75% delas afirmaram esconder sua sorologia; enquanto 37% afirmaram ter vergonha de ser soropositivo.

O HIV não é uma sentença de morte!

Não é vergonhoso se expressar sobre um assunto que fala sobre o HIV, deixe seu corpo ser tomado pela arte; A ARTE DA VIDA, e através disso você verá que o HIV não define alguém ou a morte daquela pessoa!

Este conteúdo faz parte da campanha #PREVINIDAH: corresponsabilidade pra transar, idealizada pela Viração Educomunicação e produzida por jovens multiplicadores do Pra Brilhar. acompanhe todas as produções por aqui e nos canais do projeto e da Viração nas redes sociais!

O QUE É NECROPOLÍTICA

Nesse texto, você vai entender o que é necropolítica a partir do exemplo da chacina do Jacarezinho, que aconteceu em maio de 2021.

Por Canto Baobá Psicologia

A escravidão nunca chegou a ser abolida no Brasil. Pelo contrário, o sistema judiciário se construiu a partir do racismo. Nosso sistema social e governamental nunca chegou a ser minimamente justo com as pessoas pretas. E a necropolítica fala justamente sobre isso:

A política também pode ser uma forma de guerra. Quando se constroem políticas em cima da opressão, se constrói um governo que oprime. E se as estruturas governamentais sujeitam determinadas pessoas a continuarem sem direitos, isso se estende a tudo que diz respeito a essa parcela.

As estruturas governamentais decidem quem deve viver e quem deve morrer. E esse controle está diretamente ligado ao processo histórico de racialização.

Falar sobre saúde mental é falar sobre política também: principalmente em uma cenário de perda de direitos e dignidade em que populações consideradas marginalizadas historicamente e socialmente morrem. E por culpa do governo.

É o caso da chacina do Jacarezinho. Chamada de “operação”, a Polícia Civil invadiu a favela do Jacarezinho, localizada na região norte do Rio de Janeiro, e 25 pessoas foram mortas. Inocentes. E aconteceu em menos de uma semana depois da posse definitiva do governador Cláudio Castro, apoiador do Presidente Bolsonaro.

O jornal @theinterceptbrasil apontou que, por conta da pandemia, as operações em favelas só eram autorizadas em casos excepcionais. Sendo assim, todas as operações deveriam ser justificadas por escrito e comunicadas ao Ministério Público.

A chacina se iniciou às 6 da manhã. O Ministério Público foi notificado às 9 da manhã. O que aconteceu naquela semana é um dos muitos exemplos concretos de como a necropolítica se organiza: e qual vida vale e o governo quer manter de fato.

É um dever nosso informar e continuar sendo um espaço que luta contra esse sistema. E as mobilizações pela internet também foram um fator para que esse caso de ontem não fosse enterrado.

Continuamos lutando por dignidade ao povo preto.

COP26: última chamada para o futuro do planeta

Por Paulo Lima e Roberto Barbiero

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26), a ser realizada em Glasgow, na Escócia, de 31 de outubro a 12 de novembro, representa uma provável última convocação para as medidas necessárias e urgentes a serem tomadas pelos governos mundiais para enfrentar a crise ambiental.

As mudanças climáticas estão cada vez mais fora de controle. O recente relatório sobre o clima do Grupo Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas (IPCC), denominado “Código vermelho para a humanidade” por Antonio Guterres, Secretário-Geral das Nações Unidas, destacou como “o clima está mudando de forma mais rápida e intensa do que o esperado, enquanto as ações tomadas em nível global para reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa, conter o aquecimento global e combater a crise climática ainda são completamente insuficientes”.

A comunidade científica sublinhou como o papel das atividades humanas no aquecimento global é inequívoco e como a temperatura da Terra aumentou a uma taxa sem precedentes, pelo menos nos últimos 2.000 anos, atingindo o limiar de 1,1° C em comparação com a era pré-industrial. Os impactos nos sistemas naturais agora são evidentes. O nível do mar continua subindo, mais de 20 cm desde 1901; os oceanos estão esquentando; os glaciares continentais e marinhos estão diminuindo; o oceano Ártico perdeu 40% de sua extensão desde 1979. Os eventos são cada vez mais frequentes e intensos, como fortes chuvas e consequentes inundações, mas também ondas de calor e secas, que em conjunto contribuem para condições favoráveis ​a incêndios, como aconteceu na zona mediterrânica no verão.

O apelo do mundo científico é claro: sem uma redução rápida e substancial das emissões de gases de efeito estufa em todo o mundo, será impossível cumprir os objetivos do Acordo pelo Clima de Paris. Metas que pretendem limitar o aquecimento a 2° C no final do século em relação ao período pré-industrial, mas fazer todo o possível para ficar abaixo de 1,5° C de aumento. Tudo isso para evitar o alcance de limiares que tornariam irreversíveis certos processos físicos em andamento, como o derretimento do gelo, a elevação do nível do mar e a perda de ecossistemas que tornariam catastróficos os efeitos na sobrevivência da espécie humana.

Diante dessa emergência climática, os países se apresentam às vésperas da COP26 com sinais não muito reconfortantes, como evidenciado, por exemplo, pelo recente “Emissions Gap Report 2021” do PNUMA sobre a lacuna entre as emissões registradas em comparação com as reduzidas que seriam necessárias para manter o aquecimento global dentro dos limites estabelecidos pelo Acordo de Paris.

As novas contribuições voluntárias nacionais (Nationally Determined Contributions-NDCs), que quantificam os compromissos renovados para contribuir para a realização dos objetivos do Acordo sobre o Clima de Paris, mostram um progresso fraco e são completamente insuficientes tanto no curto prazo, até 2030, e em o longo período, ou seja, até 2050, ano em que se deve esperar a conquista da neutralidade climática, ou seja, o equilíbrio entre as emissões antrópicas e a absorção de gases de efeito estufa.

Os compromissos renovados de redução dos gases de efeito estufa, mesmo que efetivamente aplicados, ainda levariam a um aumento estimado da temperatura de 2,7° C, não sustentável para o Planeta. As principais economias, reunidas em torno do grupo G20, responsável por cerca de 80% das emissões globais de gases de efeito estufa, apresentam sinais muito ambíguos. Estados Unidos, Europa e Grã-Bretanha são os países que, de forma formal, têm apresentado os maiores compromissos de redução de emissões. China e Japão apenas prometem melhorias. Brasil e México até pioram seus compromissos, prevendo aumento em emissões, enquanto a Índia ainda não fez nenhuma declaração sobre o assunto. O relatório do PNUMA denuncia também como, na maioria dos países, tem faltado a oportunidade de utilizar os recursos previstos para poupar e estimular as economias dificultadas pela COVID-19 e ao mesmo tempo promover a transformação para as economias.

O que se espera da COP26 é, portanto, uma rápida mudança de marcha e na mesa de negociações há pelo menos quatro prioridades nas quais o sucesso ou o fracasso da nomeação estarão em jogo.

1) As ambições dos planos nacionais (PADs) devem ser aumentadas para reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa, em particular nos setores de produção e consumo de energia (indústrias, transporte, habitação) e no setor alimentar (pecuária e agricultura intensiva, processamento e distribuição, desperdício e desperdício de alimentos), bem como reduzir imediatamente a exploração de florestas e solos. Os compromissos devem olhar para o horizonte de neutralidade climática a ser alcançado até 2050, planejando a saída da economia da dependência do uso de combustíveis fósseis;

2) É necessário cumprir os compromissos assumidos em relação ao apoio financeiro aos países com maiores dificuldades, em particular no que se refere à promessa dos países desenvolvidos, feita há 10 anos, de mobilizar 100 bilhões de dólares por ano para apoiar os países em vias de desenvolvimento no políticas de mitigação e adaptação ao clima;

3) Devem ser concluídas as negociações pendentes relativas, em particular, aos mecanismos de transparência entre os países e à regulamentação necessária para tornar operacional o Acordo de Paris sobre o clima. Um problema a ser resolvido será o relativo às regras do artigo 6º que permitiriam operacionalizar instrumentos de mercado de carbono, como a comercialização de cotas de emissão, e instrumentos não mercantis, por exemplo, medidas fiscais, como a fixação de um preço sobre o carbono ou da aplicação de impostos para desencorajar as emissões;

4) Passos são essenciais para a implementação de ações de adaptação e de financiamento, tão necessários para proteger e recuperar ecossistemas e apoiar sistemas de proteção, prevenção e alerta contra o perigo de eventos extremos, especialmente em países em desenvolvimento.

O mundo, portanto, olhará para a COP26 na esperança de que uma mudança profunda na ação climática seja realmente feita. O tempo acabou. Será decisivo o papel da sociedade civil e das organizações não governamentais que estarão presentes em Glasgow como observadores para pressionar os delegados dos vários países. 

Uma contribuição fundamental vem dos jovens que vão a Glasgow com a força do primeiro “Youth4Climate Manifesto”, um manifesto que recolhe as ideias e propostas que surgiram em Milão, no final de setembro, durante o evento “Youth4Climate Driving Ambition”, então discutido em reuniões de consulta subsequentes. Entre as muitas e importantes propostas, os jovens estão pedindo para serem envolvidos agora “em todos os processos de tomada de decisão” relacionados às mudanças climáticas.

Como acontece há dez anos, a Viração, por meio da sua Agência Jovem de Notícias internacional, também estará presente com um grupo de jovens brasileiros, argentinos, colombianos e italianos.

Como sempre, contamos com a parceria de jovens do Engajamundo e, desta vez, da galera do Fridays for future, que também vão compartilhar conosco seus conteúdos produzidos diretamente desde Glasgow.

A produção da cobertura jornalística educomunicativa pode ser acessada aqui no site e nas redes sociais da Agência Jovem de Notícias.

 

A equipe da Ashoka Brasil fez um resumo do Manifesto ‘Youth4Climate: Driving Ambition’, em Português em seu canal no Medium. Acesse Juventudes Pelo Clima: Impulsionando a Ambição.

Como a faculdade atrapalha nos estudos?

Algumas reflexões sobre o sistema universitário que encontramos e como estudantes enfrentam essa estrutura

Por Lucas Schrouth

DO PRINCÍPIO

Em primeiro lugar, serei um pouco contraditório: vou lhe dizer como a faculdade, universidade, academia e todos os nomes que o meio acadêmico pode assumir lhe ajuda no acesso ao conhecimento. Para isso, é preciso entender a estrutura do conhecimento e sua utilidade na sociedade e assim compreender a importância de um ambiente voltado à ciência.

O conhecimento universal é um complexo difícil de ser enxergado até para profundos estudiosos, para leigos essa visão se torna ainda mais embaçada. O maior desafio não está no que estudar, mas em como e por onde começar a estudar o objeto de conhecimento que se quer entender.

Nesta perspectiva, o autodidatismo enfrenta o impasse de exigir de seus adeptos um esforço muito grande de adequação e formulação de novos caminhos de estudo – apesar de que num certo ponto, toda pessoa que se dedica ao estudo em parte se torna autodidata.

No entanto, vejamos um exemplo: suponhamos que uma pessoa decida começar a estudar Física, talvez, sem ter os conhecimentos básicos necessários de cálculo. Justamente por não possuir esta informação, encontra severa dificuldade em seus estudos.

Ler, reler, e ler novamente e chegar à conclusão que não está entendendo nada é frustrante – bingo, é neste ponto que entra o professor.

Percebam então que a Academia, na pessoa do professor, media da melhor forma possível o aluno frente ao objeto de estudo. O professor deve procurar agir da forma mais construtiva possível. Neste aspecto, auxilia a aprendizagem que ele já caminhou e pode promover um caminho menos tortuoso do que ele precisou fazer.

Não posso estudar sozinho, é isso?’

Não é isso, de forma alguma! Quero dizer que ter as bases para entender o que se pretende conhecer, as premissas certas, ajuda muito na construção do conhecimento que posteriormente você já poderá desbravar com certa autonomia.

DO CARÁTER PRÁTICO

Muito se espera das universidades. No Brasil, um movimento anti acadêmico surgiu e tem ganhado força, infelizmente num momento de contracultura, que apregoa o abandono do meio universitário, suas carreiras, perspectivas e contribuições. Num momento em que a Universidade tem sofrido tantos ataques, é preciso destacar o seu caráter transformador, produtor e impulsionador de conhecimento.

A academia brasileira, em parte, tem sim se distanciado da sociedade, na perspectiva de atendimento de suas necessidades imediatas. Contudo, isso não é uma excentricidade da terra das palmeiras: ao redor do mundo as universidades possuem um próprio discurso, um próprio meio, seus próprios protocolos e isto não deslegitima as várias ações de tentar aproximar a universidade do meio público.

Sim, a sociedade possui demandas e sim, a universidade deve pensar nesses anseios. Entretanto, se a universidade for imputar como parâmetro de interesse o clamor do povo, provavelmente nenhum ou pouquíssimo avanço será feito no progresso científico – ninguém foi clamar ao Edison da necessidade da lâmpada, isso partiu de uma pesquisa e diálogo com outros conhecimentos para sua efetivação.

Vejam bem: quando ouvirem o discurso de “para que serve esta pesquisa? Quem um dia vai ler isso?”, lembrem-se que toda pesquisa possui uma justificativa apresentada pelo autor – procurem analisar a justificativa apresentada e argumente a partir disso; daí se pode aferir se a pesquisa possui ou não relevância para área na qual está inserida e para a sociedade.

O campo das ciências humanas infelizmente padece mais dessas críticas, é preciso entender que para produzir conhecimento muitas vezes é preciso romper com paradigmas.

DO OLHAR AO ESTUDANTE

O que faz uma escola ser uma escola? Você pode me dizer: seus professores, seus agentes escolares, a direção e gestão, suas lousas, suas carteiras e seus ambientes. Tudo bem, mas o que caracteriza uma escola são seus alunos, assim também é a universidade.

Visto isso, é com satisfação que observo que diversas pesquisas têm se voltado a olhar o estudante de graduação e pós-graduação. Procurando ouvir e entender suas dificuldades, anseios, contribuições e perspectivas, isso nas mais diversas áreas.

São todos os componentes desta estrutura (mundo acadêmico) que de fato o tornam real, que na realidade empenham o papel de concretizá-lo.

Escolher o curso universitário que se pretende não é tarefa fácil, pois leva em conta diversos fatores da vida pessoal e social do estudante. Após o ingresso isso não muda; boa parte dos alunos universitários trabalham enquanto estudam e nem sempre na área de sua formação.

Eu, por exemplo, sou da área educacional, e o período de pandemia afetou incisivamente as escolas (assim como outros setores) e as perspectivas de empregabilidade caíram severamente – torna-se complicado não se desesperançar frente a tamanha crise.

Veja a vida de um universitário de perto e verá uma onda em ciclos. Existem áreas em que as perspectivas não são das melhores; há áreas que intrinsecamente tratam de eventos difíceis para a maioria, e de questões exaustivas. Ao ver alguém lendo, ao ver alguém resumindo/fichando textos, lhe ofereça um chá e um pouco de silêncio: não é nada fácil abstrair-se de todas as interferências e situações ao redor para pensar acerca de variação linguística, cálculo de variáveis ou constituição celular.

DO QUE NOS INTERESSA

Certamente, algumas metodologias e ações adotadas por universidades, cursos e/ou docentes tendem a dificultar o processo de ensino-aprendizagem.

Por exemplo, o sistema de abarrotamento de trabalhos e leituras, avaliações finais que exigem retomada de muitos pontos, grande rigidez em aspectos que exigem certa subjetividade, a falta de empatia para com a vida do outro (por parte dos alunos <-> professores e alunos <-> alunos). Todos estes são fatores que podem interferir na vida acadêmica de seus sujeitos.

“Na faculdade você só vai estudar o que gosta”.

Esta afirmação que muitos ouviram antes de entrar na faculdade nunca foi tão contrariamente espelhada com a realidade dos corredores e salas das universidades. Primeiro, não é possível que eu estudasse somente o que eu gosto se antes é necessário que eu tenha contato com premissas que preciso para compreender o objeto que eu gosto de estudar.

Veja, escolher uma área de conhecimento que você perceba certa aptidão e tenha afinidade contribui muito no seu desenvolvimento, mas não somente.

É preciso entender que gostar de História não lhe garante que gostará de todos os ramos que o estudo historiográfico pode tomar, e TUDO BEM! A universidade te dá meios de conhecer um aparato geral acerca da ciência que você tanto ama, e com essa base você pode desenvolver diversas potencialidades.

É comum se frustrar por não conseguir absorver todo o conhecimento de sua área, todos os conceitos e aplicações – só uma colocação, É IMPOSSÍVEL SER ESPECIALISTA DE TUDO!

Por exemplo: na área da educação, temos questões específicas como a psicologia da educação, metodologias específicas de ensino, avaliação, didática e outras; e é impossível que eu me torne especialista em tudo isso.

Lembre-se: a faculdade te dá noções do seu campo de conhecimento, o estudo acadêmico se dá muito mais nas bibliotecas do que em sala.

A faculdade atrapalha num sentido, pois não nos permite alegar ignorância do que evidentemente nos foi apresentado. E isso é incrível: é preciso absorver o espírito acadêmico (de indagação, de curiosidade, de investigação, de procura) e não ser absorvido pela academia.

A Torre do Relógio, na Universidade de São Paulo. Jornal da USP/ Reprodução

Lucas Schrouth escreve para a Agência Jovem de Notícias.

Perspectivas futuras: como escolher a sua profissão?

A escolha profissional é uma carga de responsabilidade que pode ser complexa. Nesse texto, um esquema para pensar a escolha da profissão de forma saudável e mais leve.

Por Lucas Schrouth

Sem dúvidas, o fim do período escolar simbolicamente traz uma carga de responsabilidade, que é a transição para a vida e responsabilidades adultas – uma destas o trabalho. Vocação remete a chamamento, a denominar-se, ou seja, a forma como atraímos e servimos as pessoas – dá-se aí sua importância.

Escolher a profissão que se quer seguir e especializar é sempre uma tarefa ambígua, no entanto há uma boa trajetória que se pode traçar neste caminho:

  • 1º – profissão para vida toda: essa é uma ideia da qual é preciso se desprender. Você escolherá a sua profissão com base na mentalidade que tem hoje, na visão de mundo e de si na qual se encontra agora, mas felizmente nós evoluímos, crescemos, conhecemos novas coisas, pessoas e informações.

Então é totalmente normal você construir uma carreira e querer continuar estar ali, ou chegar em um momento que você percebe que não se encaixa mais naquela área e precisa de algo novo.

  • 2º – quem é você e qual seu estilo de vida: aqui entram diversos fatores como onde você se vê trabalhando? Ou seja, como você prestaria a melhor assistência e ajuda a outras pessoas?

Essa pergunta remete ao que você tem mais facilidade em lidar – números, tecnologia, gestão de pessoas, ensinar, escrever.

  • 3º – testes vocacionais e psicólogos: estes são dois recursos que podem ser muito úteis nesta etapa. Sim, os testes não são infalíveis ou absolutos, mas podem dar um norte facilitador; os psicólogos, por outro lado, são profissionais preparados e que podem ajudar numa orientação clara.

Procurar um profissional que lhe deixe confortável pra falar desse assunto é a melhor opção.

  • 4º – pesquise sobre a profissão: depois de passar por todos esses passos e de ter delimitado algumas opções, é bom pesquisar algumas coisas mesmo que pareçam óbvias, como: história da profissão, o que o profissional faz, faculdades, quantos anos de formação, mercado de trabalho/onde pode atuar, faixa salarial.

Se for possível converse com profissionais que atuem na área que você escolher.

  • 5º – o fator prático e o valor simbólico: ao longo dos anos, aprendemos que por vezes o que queremos e o que podemos não estão em conformidade. Enfim, ao fazer um levantamento geral sobre a profissão reflita sobre suas condições financeiras e práticas para cursar a faculdade dos seus sonhos, então coloque em prática os meios pelos quais pretende realizar, seja estudando para conseguir uma bolsa ou entrar numa universidade pública, seja levantando algum valor para dar o pontapé inicial ou se estabilizando em algum emprego que lhe garanta uma vaga em alguma universidade privada.

O caminho profissional é seu e atalhos são traçados durante a viagem.

  • 6º – dinheiro não paga autodestruição: ter uma perspectiva salarial e de carreira é importante (a estabilidade perante esta é interna). Escolher a carreira por segurança, concurso e capital, é partir para um narcisismo autodestrutivo.

Sua profissão é sua vocação, é a forma como você melhor se doar pelo outro, assim fazer o que gosta é a melhor forma de fornecer um bom trabalho.

  • 7º – NÃO TENHA MEDO DE RECOMEÇAR: é preciso destacar que o mercado de trabalho, num modo geral, além de exigir habilidades específicas de respectivas áreas, vem mostrando características gerais para todo profissional que almeja crescer em sua carreira.

A WEF – Word Economic Forum, publicou um relatório no qual levanta as habilidades que o profissional do futuro deve ter. De uma forma geral, a base por trás é de uma formação humanista, que leva em consideração que as profissões hoje em dia são cada vez mais coletivas.

Dentre elas podemos destacar a capacidade de resolver problemas de forma eficiente, criatividade e autonomia, inteligência emocional e coordenação com outros e uma especial a flexibilidade cognitiva.

Ser cognitivamente flexível significa não se enrijecer e estar aberto para desenvolver novas capacidades, a ação de ouvir por vezes é mais sensata do que a de falar – o aprendizado é uma profunda reflexão de humildade.

Por fim, a escolha profissional deve ser uma decisão autônoma e pensada, o melhor é sempre enxergar a situação num todo. Pesquise e leia tudo que puder sobre, converse com profissionais da área, no entanto a coragem é a principal virtude para que você começa a construir a sua própria história.