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Educação ambiental em foco: projetos piloto da ECA em Belém

Dentro da programação da Escola de Cidadania para Adolescentes, o meio ambiente foi trabalhado em oficina temática que contou com a apresentação do trabalho do coletivo Ame o Tucunduba, que luta pela gestão da bacia hidrográfica formada pelo rio. 

Durante todos os encontros, ficou evidente a relação importante entre afetividades e o meio ambiente na vida das e dos adolescentes. A partir da percepção do potencial para trabalhar o tema, foi construído um projeto piloto sobre educação ambiental, desenvolvido na UNIPOP e aplicado com turmas de duas escolas públicas periféricas da região metropolitana de Belém.

A primeira turma do projeto piloto foi formada por alunas e alunos de séries do Ensino Fundamental II da escola Nelso Ribeiro, no bairro do Telégrafo – um espaço escolhido por sugestão de adolescentes integrantes da ECA Belém que foram alunos da escola. O projeto foi composto por uma roda de conversa sobre meio ambiente, compostagem e revitalização de espaços verdes, seguida da aplicação de um exercício prático de ação coletiva: a confecção de lixeiras seletivas para o espaço da escola.

Participantes do projeto na escola Nelso Ribeiro, no bairro do Telégrafo

Para a segunda turma do projeto piloto foi selecionada a Escola Jarbas Passarinho, no bairro Costa e Silva. Lá, além das atividades propostas, nosso projeto contou com a parceria de membros do corpo docente e de uma aluna integrante do projeto Aimeê Bordalo, que atuaram na mobilização e na articulação da turma em uma atividade sobre os desafios de conviver com a diversidade no âmbito escolar.

Participantes do projeto, alunas e alunos da Escola Jarbas Passarinho, no bairro Costa e Silva

Na reta final, foi possível agregar os dois projetos com a aplicação de mais um exercício de ação coletiva: as turmas atuaram, junto com moradores da região, na revitalização de um espaço no Bairro do Benguí, com plantio de mudas e grafitagem nos muro da área.

Estes planos de atividades foram desenhados a partir da identificação da ausência de políticas públicas efetivas voltadas para o meio ambiente nos bairros, um problema alarmante na região metropolitana de Belém: questões como o descarte correto de lixo, a falta de incentivo à educação ambiental, a ausência de coleta periódica de lixo comum e da coleta seletiva nas regiões periféricas, que promovem um impacto enorme na saúde e na relação das juventudes com seus territórios.

Durante a avaliação do percurso do projeto, as e os adolescentes compartilharam falas sobre como foi gratificante participar dos exercícios em comunidade, ressaltando a importância da tomada de consciência sobre o meio ambiente e da construção e manutenção coletiva de espaços de convivência nas suas periferias.

Democracia, Direitos Humanos, Juventude, Comunicação: como foram as oficinas temáticas da ECA em Bélem

O que é democracia? O que são direitos humanos? O que é o direito à comunicação? O que é ser adolescente e jovem na nossa sociedade? Como participar de movimentos sociais? Qual a relação de tudo isso com o lugar onde vivemos?

Essas e outras perguntas que surgem na cabeça de adolescentes e jovens foram temas de oficinas da Escola de Cidadania para Adolescentes em Belém.

Na oficina temática “Democracia”, perguntas sobre o exercício pleno das liberdades democráticas instigaram as e os adolescentes a pontuar, com o uso de diversas linguagens, a abrangência do conceito em ações cotidianas, vistas em uma praça. 

Oficina temática “Democracia”

Já sob o tema “Direitos Humanos”, o exercício envolveu a reflexão e a troca de impressões a partir da observação do quadro Criança Morta, de Cândido Portinari. Cada adolescente foi chamado a compartilhar os sentimentos que a pintura expressava para si e qual a relação entre o contexto retratado na obra – a escassez de água e a fome – com suas vivências pessoais.

Criança Morta, de Cândido Portinari/Reprodução MASP

Nesta oficina também foram utilizadas técnicas de produção de fanzines para colocar em debate temas como o direito à vida, liberdade religiosa e o direito à liberdade de expressão, entre outras questões. 

Para apresentar às e aos adolescentes do projeto um exemplo prático de mobilização social, foi apresentado o trabalho do coletivo Ame o Tucunduba, que luta pela garantia de gestão da Bacia do Rio Tucunduba. Nessa oficina foi possível colocar em debate grandes questões do meio ambiente e exemplificar como a mobilização social é importante para gerar mudança e sensação de pertencimento aos espaços periféricos que ocupam.

Oficina temática “Meio Ambiente”

A roda de conversa sobre ser adolescente e jovem contou com a participação de uma jovem ativista do coletivo A Liga, que falou sobre sua experiência como voluntária na periferia em que mora, de um jovem participante do projeto Rede Paraense de Pessoas Trans, enfatizando a importância do local de fala e representatividade da população trans em qualquer espaço, e um adolescente que integra a equipe da Agência de Notícias – JCA, falando sobre a importância da participação em atividades sociais para o crescimento pessoal e intelectual das juventudes. Por fim, um jovem ativista de um grupo local da Anistia Internacional Brasil compartilhou seu relato sobre a importância de intercâmbio de ideias e trocas dos movimentos sociais para a manutenção e fortalecimento das lutas.

Roda de conversa ser adolescente e jovem/mobilização em movimentos sociais

No tema Comunicação/Educomunicação, o ponto de partida foi o direito universal que todos têm de se comunicar. A apresentação de produções protagonizadas por jovens somadas à publicações em redes sociais estimularam o compartilhamento de conteúdo sobre os diversos temas estudados, demonstrando a importância de ações que reforcem a liberdade e a pluralidade da mídia, além de exemplificar como a adoção de práticas educomunicativas têm potencial para gerar grande impacto na promoção do direito humano à comunicação.

Oficina temática “Comunicação/Educomunicação”