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Planos de ação: mapeamentos do territórios e educomunicação

Após a realização do ciclo formativo, a turma foi organizada em pequenos grupos para construir planos de ação para enfrentar algumas das problemáticas mapeadas em seus territórios. 

As equipes foram estimuladas a atuar ativamente nos territórios implementando ações com apoio pedagógico e material do projeto. A equipe seguiu mediando os processos por meio de plataformas de educação à distância, com  encontros virtuais de monitoramento e articulação com os grupos de adolescentes.

As propostas de ação planejada que foram apresentadas pelos grupos precisaram ser adaptadas para respeitar as medidas de segurança e isolamento social que estavam em vigor no momento da sua execução.

Três grupos, formados por adolescentes de uma casa de acolhimento do município de Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana do Recife, participaram da formação da ECA e optaram por produzir e realizar sessões de cineclube, respeitando o distanciamento social e, a partir do cinema, realizar ações educomunicativas abordando direitos humanos e o combate ao racismo com outras adolescentes e jovens da mesma casa de acolhimento. 

Um desses grupos distribuiu ainda, antes da sessão de cineclube, um fanzine artesanal produzido pelas próprias integrantes do grupo sobre o combate ao racismo com o objetivo de compartilhar e fortalecer ainda mais a discussão para além da exibição do filme.

Sessão do Cineclube da ECA Recife

O quarto grupo, formado por adolescentes de Olinda, Recife e Jaboatão, produziu de forma online o Sarau Poético de Jovem para Jovem, articulando a juventude das suas comunidades e escolas para participar da ação cultural.

Flyer convite para atividade da ECA Recife

O evento virtual foi realizado na plataforma de videoconferência Google Meet, aberto ao público geral e contou ainda com a participação de apresentações culturais de música e poesia, promovendo o protagonismo da juventude popular urbana a partir da arte.

Encontro virtual da ECA Recife

Já o quinto grupo, formado por adolescentes e jovens do bairro do Alto José Bonifácio, optou por planejar como ação uma proposta de TV Comunitária e produziram como primeiro conteúdo um curta-metragem sobre o preconceito no futebol contra mulheres, que contou com a participação das/dos adolescentes em todas as etapas de elaboração do conteúdo.

Sessão virtual de lançamento do curta metragem

Mesmo com limites impostos pela pandemia, esta etapa foi essencial para a autoestima das e dos jovens participantes da turma, que puderam levar o que apreenderam das discussões das oficinas e ter suas produções educomunicativas visibilizadas na sua comunidade e espaços de socialização, familiares e amigos.

Um relato sobre as atividades educomunicativas na ECA Recife

Na ECA Recife, a equipe adaptou toda a metodologia do projeto para garantir a aplicação durante o período de emergência sanitária. Mesmo sem a presença física nas oficinas, os educomunicadores buscaram trabalhar os recursos tecnológicos disponíveis para trabalhar autonomia, libertação e auto-organização com a turma. 

Esse contato com as tecnologias proporcionou aos adolescentes e jovens participantes da ECA Recife o acesso a conhecimentos de técnicas de produção em comunicação e o uso criativo e estratégico das mídias para disseminar conhecimentos e influenciar discussões públicas.

Encontro virtual – video conferência ECA Recife

 

As atividades práticas, como as oficinas cineclube, oficinas de fanzine, produção audiovisual e uso de redes sociais aconteceram dentro das discussões dos macro temas:

  • comunicação
  • direitos humanos
  • ser adolescente e a condição juvenil 
  • ativismo e participação juvenil
  • educomunicação
  • meio ambiente

Além destes encontros temáticos e das oficinas práticas, foram realizados dois encontros complementares por videoconferência, com a participação de representantes convidadas para discutirem sobre “Cinema e audiovisual”, com a participação da cineasta negra e periférica Yane Mendes, e sobre “A mulher como ser social: negra, feminista, trabalhadora numa sociedade contemporânea”, com a ativista negra, lésbica, educadora social e pedagoga, Gal Almeida.

Foi organizada ainda uma live aberta ao público geral via página da Biblioteca Amigos da Leitura (da instituição ACESA) no Facebook, com o tema “Comunicação como ato político e ação afirmativa”, que contou com as debatedoras Neggalu Rodrigues, idealizadora do Portal Minha Pele Preta, e Gal Almeida

Assista o evento na íntegra clicando aqui.

Em Recife, percurso formativo da ECA foi adaptado para tempos de isolamento

Equipe buscou soluções digitais para garantir o contato e os encontros com os educandos

A Escola de Cidadania para Adolescentes soma uma série de atividades em um percurso formativo que aborda diversos temas e propõe diversas atividades que estimulam a interação social e com os territórios aos quais as e os jovens pertencem, além do aprendizado sobre direitos humanos, democracia e participação social.

Em anos anteriores, o projeto foi aplicado na cidade de São Paulo (SP)  e Belém (PA). Em 2020, a Escola de Cidadania partiu para Recife (PE). Com o avanço da pandemia de Covid-19, alguns desafios apareceram para a execução do projeto.

A equipe do projeto precisou redesenhar o percurso formativo, buscando soluções em plataformas e conteúdos digitais para garantir a realização dos encontros e a manutenção do contato com a turma.

Para a mobilização e processo de seleção do grupo de adolescentes, usamos as mídias sociais da ACESA e também da Releitura – Bibliotecas Comunitárias em Rede, que a instituição ACESA integra com a biblioteca Comunitária Amigos da Leitura. A parceria com a Releitura na mobilização foi fundamental, pois houve uma a participação das equipes de cada biblioteca comunitária para mobilizar leitores dos espaços em suas comunidades em três municípios da Região Metropolitana do Recife (Recife, Jaboatão dos Guararapes e Olinda). Foram inscritos 43 adolescentes e jovens, dos quais foram selecionados 33 participantes.

Durante o processo, realizado de julho a outubro de 2020, foram desenvolvidas atividades que tinham em comum construir o reconhecimento e assunção das identidades culturais de todas e todos os participantes (educandas, educandos e educadores envolvidos). O ciclo de formações foi construído entendendo a importância de propiciar as condições em suas relações uns com ou outros permitindo que as mesmas e os mesmos possam assumir-se como ser social e histórico, pensante, comunicante, transformador, criador e realizador de sonhos, mas sem que esta assunção signifique a exclusão dos outros, à luz dos ensinamentos do pedagogo Paulo Freire em seu livro Pedagogia da Autonomia – Saberes necessários à prática educativa.

Foi escolhida a plataforma Google Classroom como Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). Por lá, a equipe de educadores disponibiliza conteúdos multimídia – textos, fragmentos de e-books, vídeos, áudios, entre outros – para que cada adolescente possa estudar dentro de suas possibilidades de tempo e  acesso à internet.

Após os estudos, cada educando pode interagir com educadores e colegas pela plataforma e apresentar atividades. No fim de cada ciclo de estudos e atividades, é realizado um encontro virtual para troca de saberes sobre Comunicação, Direitos Humanos, o que é Ser Adolescente e Ativismo Juvenil, além de sessão cineclube, oficinas de fanzine, audiovisual e sobre redes sociais. 

 

Alysson Reis, adolescente que vem participando da Escola de Cidadania, falou sobre como tem sido participar do projeto em tempos de emergência sanitária:

“fomos pegos de surpresa por um vírus invisível e destruidor. Logo tudo, tudo mesmo, se tornou distante e à distância. A escola não foi diferente, logo a Física, Química, Biologia, Matemática entraram nas nossas casas e nossos cômodos foram adaptados para serem nossas novas salas de aula”

Ele apontou que mesmo em distanciamento, o modelo de ensino escolar não mudou, e esse formato trouxe problemas no aprendizado. A novidade chegou com as atividades da ECA: 

“Para contrariar as expectativas de uma quarentena chata, difícil e tensa, alguns jovens de comunidade (como eu) imergiram em um diferente tipo de escola: a Escola de Cidadania Para Adolescentes. O objetivo parece simples: usar de instrumentos como a comunicação, os Direitos Humanos e a arte como forma de desenvolver o pensamento coletivo e a consciência cidadã.

Os encontros são como um portal que leva jovens periféricos a sonharem alto e além. Um portal que começa na expressão, na perspectiva e na interação de ideias e visões de mundo. A formação é extremamente apaixonante. Eu não quero que acabe. Me sinto muito bem acolhido, ouvido e inspirado. A cada nova atividade e encontro novas experiências que me fazem entender que a comunicação é fundamental para o nosso desenvolvimento enquanto cidadão e ser social.”