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Precisamos falar sobre Cyberbullying

Cyberbullying não é brincadeira e é dever de todes acolher, denunciar e combater essa forma de assédio virtual.

Por Amanda da Cruz Costa

A pandemia  causada pelo COVID-19 modificou a realidade de grande parte das crianças e jovens da sociedade brasileira: isolamento social, obrigatoriedade do uso de máscaras e aulas em casa. Com isso, desafios que antes eram do mundo físico, passaram a também fazer parte do universo digital.

Durante a quarentena, houve um grande aumento dos casos de cyberbullying. O termo se caracteriza pelo assédio moral através de práticas hostis com o intuito de ridicularizar, inferiorizar, perseguir ou agredir psicologicamente determinada pessoa ou grupo de pessoas via internet ou outras tecnologias virtuais.

 

Cyberbullying é a utilização da informação e da comunicação junto da tecnologia para hostilizar um grupo ou indivíduo, de forma deliberada e repetida. – Bill Belsey, criador do termo

cyberbullying é crime e precisa ser combatido. De acordo com o código penal brasileiro, esse crime pode ser manifestado através de três formas: calúnia, injúria ou difamação, mas quando cometido por alguém menor de 18 anos, é caracterizado apenas como um ato infracional, punível com medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA – Lei 8.069/90).

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Com o aumento das denúncias por pais, tutores e professores, em novembro de 2015 a então presidenta Dilma Rousseff sancionou uma lei contra o bullying e o cyberbullyingcom o intuito de combater e prevenir essa prática, principalmente no ambiente escolar. A Lei 13.185/15 instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying)definindo como:

Todo ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo, que ocorre sem motivação evidente, praticado por indivíduo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidá-la ou agredi-la, causando dor e angústia à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas.

Para agir proativamente contra essa prática, em abril de 2019 a Safernet Brasil e a UNICEF lançaram uma campanha de conscientização pelo combate ao bullying focada em crianças e adolescentes, com o apoio do Facebook e do Instagram. A campanha recebeu o nome “Acabar com o Bullying é da minha conta” e contou com a ajuda de diversos influenciadores, como Lara Castanho, MC Soffia, Lorenzo Ravioli e PH Cortes.

Já em 2020, a Safernet Brasil e o Facebook desenvolveram o Cidadão Digital, um programa de formação e mobilização de jovens para promoção da segurança e educação digital e midiática em ações a distância que visa impactar educadores da rede pública de ensino e 30 mil adolescentes de 13 a 17 anos em todo o país.

Para realizar o programa nas cinco regiões brasileiras, 14 embaixadores de diferentes estados foram selecionados, com a missão de promover boas práticas online relacionadas a 5 temas principais:

  • Segurança Digital;
  • Prevenção e Enfrentamento da Violência Online;
  • Relacionamento saudável nas redes;
  • Autocuidado e saúde emocional nas redes;
  • Educação midiática.

Os embaixadores possuem liberdade para criar suas próprias metodologias para aplicar as formações, desde que estejam alinhados com os valores e princípios da Safernet e do Facebook. Com a facilitação do embaixador, muitos alunos se sentem seguros para compartilhar histórias relacionadas ao bullying, evidenciando a importância de trazer o tema para o assunto escolar e debatê-lo abertamente.

O apoio dos educadores durante esse processo é fundamental, tanto para criar um espaço livre de julgamentos quanto para incentivar os participantes a falar. O combate ao cyberbullying começa pelo combate ao bullying, promovendo formações, projetos e campanhas preventivas que possibilitem a aceitação da diferença entre as pessoas.

É dever de todos acabar com o cyberbullying. Caso você, algum familiar, amigo ou colega esteja passando por alguma situação de opressão e não saiba como agir, visite o Canal de Ajuda da Safernet. Esse canal é um helpline com atendimento profissional, sigiloso e anônimo, que oferece um serviço de orientação sobre crimes e violações dos Direitos Humanos na internet.

Cyberbullying não é brincadeira!

Texto: Amanda da Cruz Costa